Carnaval 2014 e a nostalgia

Compartilhar Nostalgia, brinquedos antigos, personalidades e personagens famosos marcaram presença no Carnaval 2014, em 3 escolas de samba: União da Ilha (RJ), Rosas de Ouro (SP) e Dragões da Real (SP) que prestaram uma linda homenagem à nossa cultura!




A União da Ilha do Governador levou o público da Sapucaí a uma divertida viagem pela infância, com um desfile divertido que esbanjou criatividade. A escola entrou na avenida às 22h30 e, em 81 minutos, fez jus à proposta do enredo: "É brinquedo, é brincadeira, a Ilha vai levantar poeira!".

A nostalgia tomou o sambódromo já no início da apresentação, com a comissão de frente coreografada por Jaime Arôxa e com a participação de artistas circenses da Austrália e do Cirque du Soleil. Na dança, um casal de idosos abriu um enorme baú de memórias cheio de brinquedos que fizeram parte de sua infância, como fadas, monstros e palhaços. A eles se seguiu um enorme bebê engatinhando no primeiro tripé, além do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. A bela fantasia de Christiane Caldas ganhou um enorme dado. Junto de Marcinho, ela dançou ao redor de 28 peças de dominó.

"Empina a pipa, vá brincar de roda / de pique-esconde, / correr e pular, / que a brincadeira não tem hora", disse o samba contagiante, que foi acompanhado pelas vozes dos 3.800 espalhados em 32 alas e sete alegorias. O abre-alas chegou imponente em alusão à fábrica de brinquedos de São Nicolau, após uma ala que trouxe os brinquedos mais antigos do mundo, como bonecas feitas de barro.

As alas foram ordenadas na ordem cronológica do amadurecimento. Soldadinhos, bailarinas, bonecos de mola e de porcelana, ursos de pelúcia, palhaços e outros brinquedos que marcam a primeira infância deliciaram o público em fantasias leves e divertidas. As atrizes Letícia Spiller e Cacau Protásio encarnaram, respectivamente, uma bailarina de caixinha de música e Cinderela, uma das principais princesas da Disney.

Em seguida entraram os brinquedos educativos, como o tapete de quebra-cabeça com as letras do abecedário, o cubo mágico, os legos, o pega varetas... A escola também não esqueceu dos jogos de tabuleiro e o xadrez e, claro, a paixão da maioria dos meninos, que ganhou um carro em formato de mesa de pebolim e uma brilhante fantasia na ala das baianas.

Para a garotada mais velha, não faltaram super-heróis de todas as épocas, desde o He-Man e a She-Ra, dos anos 1980, até o Capitão América, que voltou à moda em filmes recentes, e videogames clássicos como o PacMan e o pinball, e os robôs mais modernos, incluindo os famosos transformers.

Mas nem tudo foi brincadeira no enredo da escola, que defendeu o direito das crianças a vivenciarem uma infância plena, independente de sua classe social. Além disso, a escola debateu a atual pressão do mercado e o consumismo infantil. Em seu quinto carnaval no Grupo Especial desde seu retorno à elite do carnaval carioca, em 2010, a escola entrou na avenida para tentar repetir e, quem sabe, superar seu melhor resultado, o 3º lugar em 1989. O resultado foi um dos desfiles mais originais do ano na Sapucaí.





A Sociedade Rosas de Ouro, vice-campeã do Grupo Especial em 2013, entrou na avenida à 0h34. Segunda escola a se apresentar na primeira noite de desfiles no Anhembi, em São Paulo, a Rosas trouxe para o sambódromo um enredo sobre o ciclo de vida, desde o nascimento até a velhice.

Batizado de "Inesquecível", o tema levou os espectadores por um túnel do tempo familiar a todos: a infância, a juventude, a maturidade e a "melhor idade", fases marcadas por acontecimentos e personalidades. Para isso, a escola levou à avenida cinco carros alegóricos e 24 alas, somando um total de 3.800 integrantes que desfilaram sob a chuva fina que caía no Anhembi. O desfile foi aberto com fogos de artifício e uma comissão de frente que trouxe atores brincando de representar pessoas marcantes que já morreram. Coreografada por Cris Rabello, a comissão treinou, desde setembro, os participantes para personificarem Chacrinha, Dercy Gonçalves, Michael Jackson, Carmen Miranda e Ayrton Senna, entre outros. Os nomes dos artistas que compuseram a comissão de frente foram escolhidos por internautas nas redes sociais.

"É tão bom recordar / momentos marcantes da nossa história. / Roseira impossível não lembrar / roseira onde canta o sabiá", cantou o intérprete Darlan Duarte os 58 minutos de desfile. O samba-enredo da escola trouxe ainda versos comentando o amadurecimento da geração de brasileiros que passou pelo processo de redemocratização: "Quando dei por mim já havia crescido / um cidadão na 'direção' de ser feliz. / Ganhei a consciência de lutar / para mudar a cara desse meu país".

O abre-alas da escola mostrou a luz do nascimento, o primeiro momento "inesquecível". A alegoria mostrou o nascimento mais famoso da História, o de Jesus Cristo. Os carros seguintes representaram, respectivamente, a infância e a juventude, trazendo personagens que ficaram impregnados na memória de adultos de todas as idades, como a Turma da Mônica, Fofão, a cantora Simony e o Sítio do Pica-Pau Amarelo. O ator José Mojica Marins, que deu vida ao personagem Zé do Caixão. As alas que acompanharam a alegoria mostraram as noites do terror, monstros como o Drácula, lendas urbanas e até o personagem Chucky, o brinquedo assassino. O quarto carro mostrou o casamento, momento que funciona como divisor de água na vida de muita gente, com um enorme bolo de casamento construído em três camadas.

O quinto e último carro alegórico falou sobre músicas que retratam a nostalgia nas pessoas mais velhas, e incluiu uma homenagem ao apresentador e cantor Ronnie Von, além de contar com uma série de personalidades nos destaques, incluindo os cantores Sérgio Reis e Wanderley Cardoso, e o grupo Demônios da Garoa.





A Dragões da Real foi a quarta a desfilar na primeira noite do carnaval paulistano. O desfile começou às 2h50 e teve 54 minutos de duração. A escola da Zona Oeste defendeu o enredo "Um museu de grandes novidades", sobre ícones dos anos 80 e final dos 70. As 23 alas vieram divididas em cinco setores: invenções, música, brinquedos, televisão e cinema.

A Dragões deu conta de abraçar duas décadas e cinco temas bem diferentes, escolhidos por meio de enquete na comunidade da escola. A carnavalesca Rosa Magalhães, atual campeã do carnaval carioca com a Vila Isabel, soube espalhar ícones setentistas e oitentistas pelo Anhembi.

A bateria dos mestres Mi e Avelar representou o desenho animado "Corrida Maluca", com os ritmistas vestidos de Dick Vigarista e a rainha Simone Sampaio como Penélope Charmosa.

O abre-alas trouxe invenções como patins, Polaroid, computador e torradeira. O segundo setor apostou em imagens do punk, pop e new wave. Esculturas dos integrantes do Kiss, com 15 metros de altura, levaram hard rock à avenida. Michael Jackson foi tema da comissão de frente, com coreografia que fez lembrar o clipe de "Thriller".

No terceiro setor, 50 crianças brincaram de carnaval. Brinquedos como o Pula Pirata e Cubo Mágico coloriram o desfile, assim como as baianas. Elas estava vestidas como bonecas Moranguinho, com cinco cores diferentes. A televisão foi representada no quarto setor. Chacrinha, Xuxa, Bozo, Zebrinhas do "Fantástico" e Balão Mágico foram homenageados. O quinto setor levou cinema ao Anhembi. "ET", "Guerra nas estrelas" e "Robocop", além de "Os Saltimbancos", filme dos Trapalhões de 1981, foram lembrados.

Mais de 100 integrantes foram acompanhados de personagens de clássicos do terror: Jason, Freddy Krueger, Chucky. Fechando o desfile, a escola relembrou carnavais dos anos 70 e 80, época da construção do Anhembi. A última ala, dos convidados, veio vestida como Velha Guarda.


Fonte: G1

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